desorientados

nós somos cinco. eles são muitos.

Segunda-feira, Novembro 30, 2009

o seu tom será nossa herança

acredito em canções, com letras tácteis e melodias ternas feitas com uma simples guitarra e uma voz madrugadora. acredito em bailaricos foliões, dos mais popularuchos aos mais gingões passando pelos latinos de faroeste. acredito em épicos pessoais, feitos com humor próprio e por pessoas que ostentam o seu bigode com todo o orgulho. acredito num imaginário tão próximo que é difícil perceber que esteve sempre cá, onde estamos. sim, eu acredito nestas canções, neste interior que nos é dado com descaramento e piada. enfio o capucho da letra, e entronizo num pequeno postal aquele que é, para mim, o melhor disco do ano. e, acreditem, que já o ouvi vezes sem conta para perceber que não estou enganado. eu acredito em Samuel Úria.

o peso da palavra

há uns anos li no Guardian um artigo sobre os mais literatos cantores americanos, gente que segundo eles estava a usar a narrativa de forma bruta e abusada nas canções, como escritores de contos. os Mountain Goats de John Darnielle andavam lá na lista. é engraçado ouvir The Life of The World To Come como pequenas estórias, mais ou menos caóticas, cujo balanço ora vive dum piano profundo (Genesis 30:3) ou de uma batida mais mexida (as grandes Philippians 3:20-21 e Romans 10:9). parece-me só longo demais — a certa altura tanto peso torna-se repetitivo e algo chato. mas é um bom álbum para acabar o ano no aconchego do sofá.

Domingo, Novembro 29, 2009

eu adoro o cheiro das manhãs de Outono

um gajo acorda de manhã e apanha logo com o fresquinho na cara, antes de pôr as mãos à obra e fazer render o tempo. está tudo bem e é um bom dia: em meia-hora três ideias porreiras e já transcritas para futuros desenvolvimentos. acordar cedo aos fins-de-semana é um desafio gigante mas por vezes bem recompensado.

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

a começar no Darnielle e a acabar no Úria

fim-de-semana grande a ver o mundo a passar

Quinta-feira, Novembro 26, 2009

serão

as gravações acabaram e entra-se no período chato das misturas. basicamente, uns minutos roubados aqui e ali ao estudo para meter o som a um nível simpático. a 18 de Janeiro na página do costume vão estar para descarga gratuita dez canções em formato de álbum gravadas no aconchego caseiro. já anda por lá uma primeira amostra, a lançar o tom para o que virá: algo entre um enredo sério e introspectivo e uma comédia infantil, afinal, se é para brincar à pop é para brincar à pop (já agora, não precisam de decorar a data, na altura eu lembro-vos). agora voltemos aos manuais e deixemos as melodias repousar.

saber olhar para trás

isto vale para muita coisa. não interessa que não se possa voltar atrás. uma vez é uma vez e acabou, finito, chapéu, não houve mais oportunidades porque não se quis, não se tentou, achou-se que não valia a pena. e não há nada de mal com isso, desde que daqui a um mês ou dez anos quando se voltar a pensar no assunto não se fique a bater com a tola na parede de tão estúpido que se foi. escolher é escolher, e é assim que tem de ser. e entre uma tarde de marranço e uma tarde de gravações, a escolha é óbvia (parece-me a mim, do alto dos meus vinte e um anos e já no quarto da licenciatura). talvez me ria daqui a uns tempos, mas faz parte.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

discos do mês

os JJ são uma banda sueca que, ao contrário de outras bandas suecas, tem pouca pinta. não que o disco seja mau, mas passa ao lado. falta-lhes explosão. em frente: no último concerto dos Animal Collective em Lisboa (que, nota aparte, acabaram de lançar o EP Fall Be Kind; a curiosidade aumenta) a primeira parte esteve a cargo de Bradford Cox na pele de Atlas Sound. não me lembro de ter ficado muito entusiasmado, salvo com a última canção do alinhamento, uma canção de samples bem maneiros que faziam lembrar um belo Verão infantil. em Logos encontro-a de novo, chamada Walkabout e com uma participação de Panda Bear. é o ponto mais alto de um disco bem engraçado, mas não mais que isso.


Terça-feira, Novembro 24, 2009

o céu ou a invenção

há anos, antes da Fúria e de tudo o resto, o Céu ou Las Vegas fazia as alegrias de quem começava a ver o roque éne role ao fundo do túnel. ele não pára quieto e volta, desta feita como o Inventor. continua o revivalismo da blogosfera (e lanço aqui um desafio: para quando o regresso dum super-blogue como o Companheiro Secreto?)

Domingo, Novembro 22, 2009

isto não é um postal sobre o final da década

e em vez de começarmos já com as listas dos melhores da década para aqui e para acolá (muito gosta a malta de se antecipar quando Dezembro ainda nem sequer buliu) porque não dedicar dez minutos de um dia a ver as cem fotografias da década para a Reuters. às vezes não basta pensar num mundo melhor, é preciso mais qualquer coisa.

pê-ó-pê moderna ou uma pré-teoria sobre as canções

ainda não ouvi o novo do Casablancas. sim, um dos grandes fãs dos Strokes que ainda não ouviu o novo do Casablancas. não tenho pressa nenhuma, quem anda à procura da novidade por tudo e por nada mais tarde ou mais cedo trama-se à séria. um olhar pela lista de discos antigos do ITunes quando tudo era do mundo dá para sentir vergonha de ter tanta treta a ocupar espaço. é bom esperar antes de ter as coisas, dá-lhes um valor maior. claro que a queda pode ser vertiginosa se o resultado for falhado, mas olha, é a vida, o risco vale a pena. porque se se ganha, é uma festa do camandro. mas o Casablancas é só a abertura disto tudo. é que pelo single dá para ver que o tipo se entusiasmou, o que é bom, toda a gente gosta de entusiasmos. mas o entusiasmo só dá meio valor. mal este acaba, o que fica é o que interessa, e aí ou se é bom ou então é mais um que deu para entreter dois dias e seguiu para o pó da prateleira. odeio limpar o pó e por isso há que dar algum valor às coisas. depois do entusiasmo da ideia e da provocação tem de se olhar bem para o objecto e ver as considerações (o barbas cá de casa anda a ler o Thomas Khun e confesso que dei uma vista de olhos pelo prefácio e fiquei apanhado, o que me fez pensar primeiro: porque não uma teoria científica na feitura de canções? claro que a seguir se pensa: é só pop, também não há que exagerar, mas atente-se na construção). mais umas teclas, um pormenor ali, os coros sobem ou não, reverb ou outro efeito, etc. resumindo: enquanto formos reféns das possibilidades seremos sempre insatisfeitos, porque poderíamos tê-lo feito não melhor mas de outra maneira, também ela agradável. contudo, até sair (algum dia vai ter de sair, se não é mera masturbação musical e disso só masoquistas é que gostam) podemos pensar bem no assunto e arriscar o que der. na sexta achei que estava tudo seco demais, árido, minimal extremo. ontem na auto-estrada com os Beach Boys e depois dum minuto de piano pensativo na sala percebi que há que soltar as coisas e torná-las mais completas. esqueletos são fixes, mas ganham muito pó. acho que já disse: odeio limpar o pó. e só para que fiquem a saber, 11th Dimension é uma boa canção, mas era tirar-lhe um minuto no mínimo para ser um single à séria, digo eu.

Guerra e Paz, tomo três

os russos têm aquela maneira nada simpática e tremendamente frontal de dizer as coisas sem rodeios de maior, mas apesar da violência espiritual e moral com que as suas personagens levam nas azáfamas que a fatalidade trouxe (embora isso do destino ser o nosso guia e o caminho supremo das coisas não ser algo que eu esteja disposto a aceitar) há um espaço, talvez por tudo estar tão a nu, para ver uma beleza pura a contorcer-se (as mulheres são princesas de mil sonhos e cada vez que são descritas há um deslumbramento que ataca o leitor) e um sarcasmo perante as incoerências e os aristocratismos baratos de uma sociedade nada liberal. o nome clássico serve para alguma coisa. e o tomo quatro já vai para a lista de Natal mais próxima.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

não chorem por o ano estar a acabar

Interpol, Spoon, Beach House, Vampire Weekend (e uns quantos portugueses que por aí andam). até ver, uma coisa é certa: 2010 não nos vai deixar em paz. pode se pedir mais de um novo ano?

Terça-feira, Novembro 17, 2009

obra-prima geracional

como é bom poder voltar às origens em cada tira.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

foi assim que o Norte ficou



águas passadas