ainda não ouvi o novo do Casablancas. sim, um dos grandes fãs dos Strokes que ainda não ouviu o novo do Casablancas. não tenho pressa nenhuma, quem anda à procura da novidade por tudo e por nada mais tarde ou mais cedo trama-se à séria. um olhar pela lista de discos antigos do ITunes quando tudo era do mundo dá para sentir vergonha de ter tanta treta a ocupar espaço. é bom esperar antes de ter as coisas, dá-lhes um valor maior. claro que a queda pode ser vertiginosa se o resultado for falhado, mas olha, é a vida, o risco vale a pena. porque se se ganha, é uma festa do camandro. mas o Casablancas é só a abertura disto tudo. é que pelo single dá para ver que o tipo se entusiasmou, o que é bom, toda a gente gosta de entusiasmos. mas o entusiasmo só dá meio valor. mal este acaba, o que fica é o que interessa, e aí ou se é bom ou então é mais um que deu para entreter dois dias e seguiu para o pó da prateleira. odeio limpar o pó e por isso há que dar algum valor às coisas. depois do entusiasmo da ideia e da provocação tem de se olhar bem para o objecto e ver as considerações (o barbas cá de casa anda a ler o Thomas Khun e confesso que dei uma vista de olhos pelo prefácio e fiquei apanhado, o que me fez pensar primeiro: porque não uma teoria científica na feitura de canções? claro que a seguir se pensa: é só pop, também não há que exagerar, mas atente-se na construção). mais umas teclas, um pormenor ali, os coros sobem ou não, reverb ou outro efeito, etc. resumindo: enquanto formos reféns das possibilidades seremos sempre insatisfeitos, porque poderíamos tê-lo feito não melhor mas de outra maneira, também ela agradável. contudo, até sair (algum dia vai ter de sair, se não é mera masturbação musical e disso só masoquistas é que gostam) podemos pensar bem no assunto e arriscar o que der. na sexta achei que estava tudo seco demais, árido, minimal extremo. ontem na auto-estrada com os Beach Boys e depois dum minuto de piano pensativo na sala percebi que há que soltar as coisas e torná-las mais completas. esqueletos são fixes, mas ganham muito pó. acho que já disse: odeio limpar o pó. e só para que fiquem a saber, 11th Dimension é uma boa canção, mas era tirar-lhe um minuto no mínimo para ser um single à séria, digo eu.